Quinta-feira, Novembro 15, 2007
Quarta-feira, Novembro 14, 2007
Terça-feira, Novembro 13, 2007
Segunda-feira, Novembro 12, 2007
Muriel – Ruy Belo
Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid
havia as ruas as pessoas o anonimato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontros
em que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de villa borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anos
junto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido
Domingo, Novembro 11, 2007
XVII Cimeira Ibero-americana – Longa vida ao Rei

Santiago do Chile – 10 de Novembro de 2007, Sessão plenária da XVII Cimeira Ibero-americana: O Rei Juan Carlos de Espanha põe Hugo Chavez no lugar mostrando que a barreira do politicamente correcto muito usual hoje em dia, tem limites, já depois de José Luiz Zapatero ter tentado ser o mais cordial possivel.
Depois de tantos anos em que Fidel Castro era figura de cartaz nestas cimeiras, Hugo Chavez quer tomar o seu lugar. Apesar de este ter sido eleito democráticamente e estar a fazer todas as reformas na constituição que o possam manter lá até à sua morte, o discurso e a deselangância mantêm-se.
Este hipócrita (que nome terá aquele que passa a vida a criticar os Estados Unidos da América, quando é esse país que contribui praticamente para toda a geração de riqueza da Venezuela ao comprar o petróleo dos seus poços), chegou ao Chile armado em super vedeta. Entrou a cantar e saiu de lá com o Juan Carlos a mandar que ele se calasse.
Para este homem a democracia talvez sirva para se puder chamar fascista e insultar qualquer um como se apetece. Cá, na Peninsula Ibérica, já temos uma ideia diferente. Para nós a democracia serve para cada um argumentar os seus pontos de vista. Por isso Juan Carlos (mais respeitador e prático) e Zapatero (mais cordial e claro) mostraram grande maturidade perante o sucessor daquele que quer herdar o passado de Fidel. Também se notou que Daniel Ortega, o Presidente da Nicaragua quer ser o próximo. Mas o importante aqui é dar os parabéns aos dois representantes de Espanha, certamente hoje motivo de orgulho para aquela nação, por este grande acto de coragem.
De Juan Carlos tenho as melhores impressões, como será obvio depois de todo o processo de democratização que conduziu no país vizinho. Zapatero nunca colheu muito a minha simpatia mas não será por isso que não lhe darei os parabéns, pois o importante era defender o país e como ele disse pode estar-se nos antípodas de uma posição ideológica e não será ele quem estará perto das ideias de Aznar, mas ele foi eleito pelos espanhóis. E Aznar, pelo qual também nutro alguma adimiração apesar do envolvimento na guerra do Iraque, não será, nem de longe nem de perto nenhum “fascista”, como Hugo Chavez várias vezes o disse. Quem dera a muitos países que tivessem por vezes um Aznar no poder…
Todo este incidente, valeu por toda uma cimeira de retórica, chata e passiva. Pois não houve o acobardamento habitual perante os insultos chavistas, e o convite ao seu silêncio além de nos poupar a todo um rol de parvoices que saiem daquela boca para fora, foi em nome de todos os espanhois, grande mostra de patriotismo que às vezes anda tão esquecido
Quinta-feira, Novembro 8, 2007
OE 2008 APROVADO
Gato Fedorento – Diz Que É uma Espécie de Magazine (série II), RTP1, 14 de Outubro de 2007
“Prós e Contras”, RTP1, 22 de Outubro de 2007
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Quarta-feira, Novembro 7, 2007
Saudade
Graças a Deus há sempre alguém que já fez isto por nós:

“Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades ate dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim… do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais, tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe… nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices… Ai, os dias vão passar, meses… anos… até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo…. Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: “Quem são aquelas pessoas?” Diremos… que eram nossos amigos e…… isso vai doer tanto!- “Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!” A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente…… Quando o nosso grupo estiver incompleto… reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrima abracar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo….. Por isso, nao deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades…Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!“
Terça-feira, Novembro 6, 2007
Gira o disco e toca o mesmo

Trata-se de um debate parlamentar de 14 de Outubro de 2004. Entre o discurso de hoje e de há 3 anos, apenas mudam as posições dos intervinientes. O meu país está na mesma, apenas isso mudou. Sócrates acusava, e com razão, e hoje faz:
“Os portugueses não podem confiar num Primeiro Ministro que uma vez diz umas coisas, outra vez diz outras.” – O mesmo lhe digo eu a si
“Nós não podemos passar de uma fase em que estamos em recessão, para a fase do crescimento estouvado, porque essa não é a realidade da nossa economia.” – O mesmo lhe digo eu a si
“Este mês temos mais 16 mil empregados.” – Hoje não teremos mais.
“As exportações não arrancam” – Hoje ainda não arrancaram.
“O segundo pior país da União Europeia em termos de confiança.” – Por mim, até somos o pior mesmo.
“Esse caso não é resolvido pelo seu silêncio, esse é um caso a que não pode fugir (…) conduziu à eliminação de uma voz incomoda para o seu governo (…) Esse episódio, é um episódio indigno de um governo de um país democrático (…) Peço-lhe Sr. Primeiro ministro que resista à tentação do controle da comunicação social, não vá por aí porque nós cá estaremos para evitar essas tentações” – Se o senhor pede, eu imploro-lhe.
Mas como diz Paulo Portas e com muita razão para combates de wrestling e exibições do Canal Memória já chegou o debate de hoje. Isto foi só para estes senhores terem a noção de que aquilo que dizem hoje, provavelmente vão ter que o engolir amanhã. E a verdade é que em partidos como o PSD e o PS, isso é demais evidente. Ora vai um ora vai outro, às vezes mais à direita outras mais à esquerda, mas a matéria prima, infelizmente é sempre a mesma desde há muitos anos a esta parte.
Agora o que é irónico é a constatação do nosso sentimento tão protuguês o saudosismo. A esquerda passa a vida a relembrar Abril, o PSD a relembrar Sá Carneiro e o CDS, Adelino Amaro da Costa. E por isso o debate foi tão virado para o passado que como disse Francisco Louçã o melhor seria devolver os bilhetes. Estavamos perante o regresso de dois homens que durante anos a fio debatiam com algum interesse e cordialidade no final do Telejornal de domingo da RTP. Ambos chegaram à chefia do Governo e hoje voltaram a encontrar-se. Santana Lopes é sem duvida alguma um dos politicos portugueses mais energéticos que levanta congressos e bancadas parlamentares, para além de ser a par de Paulo Portas, o melhor orador da Assembleia da Republica à direita só com paralelo na esquerda a Francisco Louçã. Porem, os dois primeiros têm um passado algo incómodo, especialmente Santana Lopes que entrou e saiu da chefia do Governo por decisão do Presidente Sampaio. Foram perdoados pelos respectivos partidos, mas José Sócrates não quer que os portugueses os esqueçam. Portanto, o DN noticía, que foi necessário para responder aos desafios dos presente e do futuro preparar um dossier Anti-Santana:
De facto é engraçado, que um país que tenha tanto para discutir se volte para o passado para discutir o Orçamento de Estado de 2008 e haja até acessores a procurar trapalhadas governamentais que possam servir como prova de arremesso.
É triste porque a classe politica troca o disco e é sempre a mesma música e o que se diz hoje na oposição, se engole na oposição.
Talvez seja tempo de dar oportunidades a outros. Uma geração nova de politicos que olhem de forma global para ideologias e obras e que se inspire em alguns politicos do passado recente. É por eles que anciamos! É por eles que ainda temos esperança!
Domingo, Novembro 4, 2007
Um erro que persistimos cometer!
Mais de 2400 mulheres interromperam voluntariamente a gravidez, tendo em conta a lei em vigor. São números que retratam a realidade nacional, até ao passado dia 20 de Outubro.
Especialistas reúnem-se para revelar os efeitos do aborto na saúde da mulher:
– o aborto e a Perturbação Pós-Traumática na mulher;
– o aborto e o risco posterior de prematuridade;
– a relação entre o aborto e o cancro da mama e,
– os riscos da pílula abortiva.
Dia 8 de Novembro, no Hotel Villa Rica, em Lisboa.
Mais informações:
http://www.lisbonmedicalconference.net/
Sabemos que Hitler e Estaline erraram profundamente com o seu projecto de sociedade ideal que excluía milhões de outros seres humanos. Sabemos que os terroristas e os senhores da guerra estão errados. Sabemos que as salas da morte na China para crianças e deficientes são um atentado à dignidade humana. Sentimo-nos orgulhosos por pertencermos a um país que desde o século XIX aboliu a escravatura e a pena de morte; consideramos este facto uma marca de civilização digna da nossa auto-estima como povo. Sabemos que atentar contra a diversidade da vida na Terra, caçar animais em extinção ou destruir ninhos de cegonhas está errado. Sabemos que poluir os rios e os mares, com todas as implicações que isso tem para a vida aquática, está errado.
Sabemos, com toda a certeza, que só um profundo respeito pela Vida em todas as suas formas, e com especial reverência para a vida humana, é digno de nós. – Teresa Maduro Gonçalves
Sexta-feira, Novembro 2, 2007
Uma Gaffe verdadeira
José Sócrates no discurso sobre a nova Lei da Nacionalidade, 21 de Maio de 2007
A Realidade de um País
“Prós e Contras”, RTP1, 22 de Outubro de 2007